Com os filmes "Patativa do Assaré: Ave Poesia", do cineasta cearense Rosemberg Cariri e "Chama Verequete", dos documentaristas Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira, o Projeto Circuito Cineclubista "Democratizando o Audiovisual" chega a Belém na primeira quinta-feira de agosto (dia 6).Cinema de Rua é um projeto do Cineclube Amazonas Douro (Francisco Weyl) e da REDE Aparelho (Arhur Leandro), para realizar sessões de cinema (e conferências-relâmpago) nas ruas de Belém do Pará, Amazônia-Brasil.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
DEMOCRATIZANDO O AUDIOVISUAL
Com os filmes "Patativa do Assaré: Ave Poesia", do cineasta cearense Rosemberg Cariri e "Chama Verequete", dos documentaristas Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira, o Projeto Circuito Cineclubista "Democratizando o Audiovisual" chega a Belém na primeira quinta-feira de agosto (dia 6).sexta-feira, 3 de julho de 2009
CINECLUBES PARAENSES EM CIRCUITO NACIONAL
O Cine Mais Cultura garantirá uma oficina de capacitação cineclubista + equipamentos de exibição audiovisual + 104 DVDs da Programadora Brasil + acompanhamento direto para exibições nos 3 primeiros meses de atividade.
E o projeto Circuito Cineclubista promoverá a exibição dos filmes "Patativa do Assaré: Ave Poesia", do cineasta cearense Rosemberg Cariri e "Chama Verequete", dos documentaristas Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira.
O Circuito é promovido pelo CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros /Filmoteca Carlos Vieira, contando com o apoio e parceria do CBC - Congresso Brasileiro de Cinema, da ABDn - Associação Brasileira de Documentarista e da CBDC - Coalizão Brasileira Pela Diversidade Cultural e dos realizadores que disponibilizaram gratuitamente os direitos de exibição de suas obras ao CNC.
A oficina de capacitação cineclubista vai acontecer entre os dias 3 e 7 de agosto de 2009, inclusive com a participação de representantes dos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins.
De acordo com Francisco Weyl, coordenador dos cineclubes contemplados, cujas sessões são realizadas no âmbito do projeto Cinema de Rua (cinemaderua.blogspot.com), esta oficina dará grande impulso à Jornada Paraense de Cineclubes, prevista para acontecer em outubro, no Marajó.
“Quem ganha com isso é o movimento cineclubista que se está a fortalecer no Pará”, afirma.
Maiores informações em www.cineclubes.org.br.
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© Francisco Weyl
Carpinteiro de poesia e de cinema
quinta-feira, 30 de abril de 2009
PARA UMA CONTRIBUIÇÃO CRÍTICA AO AMAZÔNIADOC
Há um massacre físico e ao mesmo tempo intelectual contra a Amazônia, há seres humanos que renegam a própria História, mas, se por um lado, eles deixam de ser o que são, já que perdem de vista as suas reais perspectivas de construção de identidades, por outro lado, nem por isso a História deixará de ser o que é com a sua inexorável tempestade a destruir estes vales desalmados do conhecimento.
Este massacre contra a Amazônia, portanto, se escreve nas linhas e entrelinhas acadêmicas e mediáticas e são fortalecidas, pois que financiadas, por um ciclo industrial cultural que corrobora para uma tentativa histórica de aniquilar todo e qualquer pensamento, toda e qualquer forma de resistência amazônida.
Nós, amazônidas, sabemos muito bem o quanto é sacrificante afirmar e preservar as nossas tradições contra discursos e práticas pressupostamente híbridos, mas que, por trás das máscaras desta contemporaneidade, utilizam-se das publicidades e dos apoios empresariais e governamentais para piratear e institucionalizar – silenciar – as produções artísticas e culturais das comunidades periféricas. Algumas vezes esta nossa ousadia é mesmo paga com a própria vida.
Não vou defender aqui nenhuma política de cotas para a arte amazônida – para que não me chamem de preconceituoso e bairrista, entretanto, chamo a atenção para uma histórica discriminação contra todas as formas de manifestação artística e cultural que não tencionam e (algumas) se recusam a aderir às tendências preconizadas pelo espírito contemporâneo.
Lamentavelmente, portanto, é na Amazônia onde podemos identificar tais fenômenos com maior clareza. Há neste lado do país uma vasta produção imagética que não é respeitada como documento audiovisual pelos que deveriam formular opiniões. Falo de jornalistas e de produtores de mídia, a maioria dos quais articulados a espaços institucionais e empresariais, necessariamente, ao serviço de políticas e linhas que se recusam a reconhecer e a dar valor ao que é produzido na Amazônia, motivo pelo qual eu cheguei a manifestar por escrito o meu incômodo pelo fato de uma empresa do rio de Janeiro estar a organizar os cineclubes do Maranhão, do mesmo modo que critiquei, por exemplo, que um americano tenha conquistado o grande prêmio do AmazôniaDoc com o apelativo tema da Irma Dorothy.
Com todo respeito a quem quer que seja de fazer/filmar o que quer que seja onde quer que seja, nós, amazônidas – e escreverei este trocadilho com todos os riscos e conseqüências daí advindas – não precisamos de heróis americanos (e nem de cariocas e mesmo paulistas).
Independentemente do interesse que tem o tema e da forma de abordagem do mesmo, há que ser evidenciado que nós amazônidas temos uma tradição de produção de imagens sobre este e outros temas, entretanto, estas imagens não adquirem o status de cinema, de documentário, de audiovisual ou de qualquer que seja o conceito definido de forma convencional por esta comercial indústria cinematográfica, que aceita este filme americano, com todas as chances de promoção pela indústria cultural nacional, com direito a comentários e resenhas críticas em cadernos culturais, num grande esquema de produção global (sem trocadilhos), coisa jamais facilitada para os realizadores amazônidas, que, por sua vez, na contramão da história oficial, vem escrevendo a HISTÓRIA desta terra, a partir de mitos e arquétipos enraizados nas realidades das populações locais,a partir da perspectiva e dos conhecimentos populares destes mesmos povos, que têm eles próprios que ter o direito de construírem as suas identidades artísticas, sob quaisquer formas em que estas sejam manifestadas.
Se os cariocas tem direito de organizar Cineclube no Maranhão e se os americanos têm direito de produzir filma na Amazônia, penso ser demasiado justo que os amazônidas tenham também direitos de produzir/preservar as suas imagens, os seus filmes, os seus cinemas, as suas produções imagéticas, indispensáveis aos processos dinâmicos de construções e de afirmação de seus conhecimentos, saberes, magias e artes.
PS:
A VALE vem produzindo anúncios no DIÁRIO DO PARÁ – um dos balcões-de-negócios disfarçados de jornal tal qual é O LIBERAL. E nestas publicidades, há uma tentativa descarada de associar a imagem destas duas empresas ao apoio à cultura popular, a exemplo de todas as empresas e instituições que se apropriam dos signos da arte e da cultura popular, sem que as comunidades produtoras desta arte e desta cultura recebam o que quer que seja em troca desta manipulação e usurpação.
Carpinteiro de Poesia e de Cinema
Neste domingo, os artistas Carlo Rômulo & Arthur Leandro apresentam DOCUMENTOS DA CAMPINA
em consequência de uma longa história de resistência, parte da qual resgatada/narrada pelo próprio Rômulo, personagem contemporâneo, criador/proprietário do CORREDOR POLONÊS ATELIER CULTURAL, onde (hoje) se produz, freneticamente, arte de intervenção social radical e libertária (entretanto, ignorada pela mídia e pelos seus repercussores/reprodutores que constituem esta estúpida camada dos fazedores de kurtura desta cidade ainda provinciana), portanto, mais que um simples documentário lançado às cegas em meio a este tempo de “amazoniadoc”, uma verdadeira aula cinematográfica de construção processual dos elementos audiovisuais que compõem a épica gramática cinematográfica.
A não perder: “DOCUMENTOS DA CAMPINA”
DOMINGO - 26 DE ABRIL - 20 HORAS - NA RUA GENERAL GURJÃO, 253
NO PROJETO CINEMA DE RUA
Filme de Carlo Rômulo e Arthur Leandro, com a presença dos realizadores, em sessão antecedida de conferência-relâmpago de Francisco Weyl.
segunda-feira, 30 de março de 2009
PRA TRÁS, BRASIL - 45 anos pós-golpe
PRA TRÁS, BRASIL referencia um simbolismo espacial, na medida em que todas as suas imagens (entrevistas) são captadas na Praça da Bandeira, em frente ao Quartel do Exército, centro de Belém, Pará, portanto, é um documentário contra a ditadura, que se caracteriza, dessa forma, como um ato de rebeldia e de protesto contra o silêncio e todas as formas de omissão, opressão, repressão e preconceito político.
No documentário, o engenheiro agrônomo Humberto Cunha, ele próprio torturado pela ditadura na década de 60 – e, apesar disso, um grande construtor das lutas populares amazônidas, fundador da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, sendo também responsável pela formação política e cultural de várias gerações paraoaras -, responderá perguntas por mim formuladas.
É com este espírito que produzo, realizo, monto e projeto, nesta terça, dia 31 de março de 2009, 45 anos depois do golpe militar, este filme.
Se você quer fazer parte deste processo, vá até a Praça da Bandeira e faça uma pergunta para o Humberto Cunha, ou então envia uma pergunta, mas se você não pode nem ir até a Praça e nem mandar perguntas, aparece no Corredor Polonês Atelier Cultural (General Gurjão, 273, Campina), 20 horas, quando projeto este filme, no âmbito do Projeto Cinema de Rua (http://cinemaderua.blogspot.com).
A História do Brasil agradece.
©
Francisco Weyl
FICHA TÉCNICA:
PRA TRÁS, BRASIL – 45 anos pós-golpe
Entrevistado: Humberto da Rocha Cunha
Entrevistas, Câmara, produção, realização e montagem: Francisco Weyl
Tempo: (...)
Digital, Cor, Brasil, 2009
PROJEÇÃO: DIA 31 DE MARÇO DE 2009
20 HORAS
RUA GENERAL GURJÃO, 273 – CAMPINA
Com a presença do realizador e do entrevistado, para um debate público.
Apoio:
ORGANIZAÇÃO CULTURAL CORREDOR DA AMAZÔNIA
REDE APARELHO
CINECLUBE AMAZONAS DOURO
CINECLUBE CORREDOR POLONÊS
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© Francisco Weyl
Carpinteiro de poesia e de cinema
terça-feira, 24 de março de 2009
O DOCUMENTÁRIO CONTRA A DITADURA
Farei um documentário a partir de entrevista com o camarada Humberto Cunha.
Penso ser importante a Vossa participação com perguntas.
Na Praça da Bandeira, dia 31 de março, às 10 horas da manhã.
(...)
E às 21 horas, projeto este filme-documental
no âmbito do CINEMA DE RUA (http:www.cinemaderua.blogspot.com),
na Rua General Gurjão, Bairro da Campina.
(...)
Agradeço a gentileza de divulgarem esta cena de guerrilha artística.
(...)
AXÉ!
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© Francisco Weyl
Carpinteiro de poesia e de cinema
FONES: ( 91) 3241 9080 / 4009 2514 / 8412 8628
ACESSE:
http://resistenciamarajoara.blogspot.com
http://www.cinemaderua.blogspot.com
http://www.cinemapobre.org
http://www.mazagao.com. sapo.pt
http://www.cinemapobre.blogspot.com
http://www.alba.com. sapo.pt
http://www.carpintaria.blogspot.com
http://www.poesofia.blogspot.com
http://www.apostaladodapoesia.blogspot.com
Pra frente Brasil dia 31 de março.
Sinopse do filme: Em 1970, em plena época dos anos de chumbo, o Brasil inteiro torce e vibra com a seleção brasileira de futebol, na Copa do Mundo realizada no México. Enquanto isso, prisioneiros políticos são torturados nos porões da ditadura militar e inocentes são vítimas dessa violência.
Este evento faz parte da articulação artística em defesa da cidadania e dos direitos humanos, e pra manter viva a memória da história recente brasileira. 48H DITADURA NUNCA MAIS.
General Gurjão esquina da Bailique, a partir de 19h.
segunda-feira, 23 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
Prezados Athur, Crow, Weyl, Carlos e Cia...
E-mail do realizador Darcel Andrade, a propósito da projeção de seu filme POR QUE EU, no Projeto Cinema de Rua, dia 6 de março de 2009
Ecoam os sons da rua, dos carros, misturados ao som dos filmes que projetamos ontem no corredor polonês e as luzes dos faróis cruzadas a do projetor. Imaginem a cena numa visão global holográfica e cristalizando uma forma tridimensional como uma instalação de linguagens raras na formação de uma outra linguagem, poética.
Sentado à calçada, no batente das lojas, não somente assisti aos filmes propostos em uma programação, que só serviu de pretexto para reunir outra coisa maior, os sentidos e o valor do homem na concepção de um trabalho diferenciado de promover a poyesis entre sonho e realidade, vontade e atitude, encontro e resistência [aos modelos estabelecidos].
Weyl destacou o Apolíneo, o que habita no mundo dos aedos, e o trouxe para a nossa companhia, o Belo em Si, para o nosso mundo e filosofia fora do mundo das idéias, nesse encontro profano da realidade presente e palpável sem perder a beleza. Como ele mesmo diz: "ao trazer o filme para ser projetado, no meio da rua, a obra se transfigura".
A transfiguração, no sentido amplo da palavra, é transformação, é adquirir outras formas, inesperadas até, inusitadas, diferenciadas, compartilhadas, socializadas, degustadas pelos transeuntes que paravam para ver e ouvir imagem e vozes projetadas em um imenso lençol do outro lado da rua. Parecia proposital [palavra reducionista], mas não, o natural se adapta ao real, à ficção, e tudo de configura, ou melhor, se transfigura em uma composição tridimensional e surrealista: imagem projetada, vozes dos personagens, carros que passam e pessoas que se movimentam frente à tela, como figurantes, objetos de cena, e que fazem parte do cenário do próprio filme que está sendo exibido. E para completar, um público seleto de poucas pessoas que souberam e desejaram entender essa nova maneira de expressão.
Onde estão os críticos? Onde se encontram os apaixonados pelo cinema? Estão trancados nas salas de exibição? Onde está a mídia que gosta de mostrar bumbum das celebridades instantâneas? Deixo claro que meu entendimento sobre o que se expõe nesse contexto, está voltado exclusivamente a uma nova forma de expressão do cinema e sua inserção nos espaços alternativos.
Os sujeitos entrevistados após a projeção, sentados despretensiosamente no bar ao lado, revelam a importância desse projeto. São trabalhadores anônimos, homens e mulheres, moradores do bairro que movimentam a feira de cultura aos domingos na Praça da República, esses desconhecidos do grande público. Carlos, com seu gravador de ouro, soube garimpar um brilho de lucidez nas vozes desses intérpretes, daí a certeza de que a mensagem levada pelo filme Por que Eu?, sobre a transmissão vertical, foi compreendida. Esse é o papel do cinema de rua, que eu incorporo agora, no contexto de minha ótica, ao cinema papa-chibé.
Obrigado, mais uma vez. Voltei pra casa feliz, porque sei, que, de alguma forma, o filme fez a diferença para essas poucas pessoas, a nossa razão de ser!
Um grande abraço.
© Darcel Andrade
domingo, 8 de fevereiro de 2009
A "MALDIÇÃO" de Zé do Caixão
Amaldiçoada seja a sua arte, Mojica!
"A maldição..." foi o seu primeiro filme em Portugal, que estreamos em Belém durante o Concílio Artístico Luso-Brasileiro, que criou o Cineclube Amazonas Douro, o qual coordeno e do qual o Mojica é presidente de honra. E Mojica realizou conosco (um total de 13 pessoas – o número não foi por acaso) um outro flme, dessa vez, digital, o "Pará Zero Zero", resultado de uma oficina de audivisual, filme esse que deu mote à revista homônima e que foi lançado numa sexta-feira, 13 de junho de 2003, no Cemitério da Soledade, numa das cenas mais anárquicas desta terra.
Mojica faz filmes históricos, com uma coragem absoluta, sem medo da hipocrisia e da censura, sem medo da burocracia e da unanimidade, sem medo da mesmice e da burrice. Amaldiçoada seja a sua arte, vítima de todos os tipos de preconceitos e censuras, estes, originários, tanto durante os negros anos do regime militar, quanto neste tempo (pós-moderno?), no moralismo da (pseudo) intelectualidade cultural brasileira, em geral conceitual, covarde e leviana.
Ainda bem que este velho louco e alucinado foi ostracizado em seu próprio país. Assim, não precisou aprender a gramática da intelligentsia medíocre para construir o seu próprio percurso, fundado em corajosas atitudes, com as quais, enfrentando o medo a omissão da elite e sacrificando-se a si próprio e aos seus familiares e amigos, tem desempenhado a sua missão que é fazer cinema.
Indiferentemente aos critérios e análises reaccionários da crítica cinematográfica que se submete aos padrões e dogmas do sub cinema comercial, quer ele seja hollywoodiano ou Europeu, este homem "ignorante" (utilizo o termo entre aspas para ressaltar o preconceito da pseudo crítica intelectual), fez filmes influenciados pelo seu auto didatismo, sem nunca sequer ter lido um livro sobre cinema.
Mojica é um Brasil que se nega a si próprio. O Brasil pobre e violento, que tem força cósmica em sua interioridade mas que dispersa as suas energias em auto flagelações artísticas.
O Brasil de Mojica é genial, responde com criatividade às suas adversidades.
© Francisco Weyl (Carpinteiro de Poesia e de Cinema
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL E O CORREDOR POLONÊS
... Antes de mais nada, quero informar que este projeto é da responsabilidade do Cineclube Amazonas Douro, da Rede Aparelho e do Corredor Polonês Atelier Cultural, organizações de criação e de agitação artística que geraram o CINECLUBE CORREDOR POLONÊS, que temos a honra de coordenar, com o apoio do Pai Arthur Leandro e da galera do Corredor, o Krom, a Isabela, o André...
... Aqui nesta rua nós temos projetado filmes, recebido e conversado com as pessoas, e mesmo quando muitas pessoas passam, transeuntes em geral que moram aqui perto ou que passam aqui para ir a algum lugar, mesmo quando estas pessoas passam e não observam ou que fingem não observar o que acontece no meio da rua, no caso, estas projeções, de uma certa forma, todas elas já estabelecem um processo de colaboração conosco, um processo de construção de atitudes, estéticas e poéticas de rebeldia, que caracterizam as nossas ações, porque, apesar de estarmos no dito centro da cidade, a nossa postura, toda ela, é periférica, já que nos colocamos contra este conformismo paraoara e esta resignação belemense de fazer as suas programações culturais apenas no espaços centrais, nas galerias e nos museus do centro da cidade, absolutamente de costas á periferias, logo, quando ocupamos o espaço da rua, nós estamos permitindo a que todos participem, mesmo quando não participam, pois que o simples fato de por aqui passarem já colabora para este processo do acaso, mas não por acaso e sim com propósitos...
.. portanto, hoje nós queremos gritar sobre o Fórum Social Mundial que foi realizado aqui em Belém, entretanto, se perguntarmos a cada uma das pessoas que agora estão a passar aqui nesta rua o que elas pensam do FSM, a maioria delas vai dizer que o FSM deu a maior confusão, deu engarrafamento, fumaram maconha, andaram nus, ou seja, elas reproduzirão o senso comum propagado na mídia burguesa que tem aqui no Pará como patrocinadores as famílias maiorana e barbalho, mas se uma terra depende de famílias para fazer notícia, então, como disse o grande jornalista Lúcio Flávio Pinto, isso aqui ta virando feira, kitanda, onde todo mundo grita mas só os donos das bancas metem a mão, mas nós, que conhecemos as causas dos povos e das comunidades, nós que nos articulamos no projeto CASA DE CABOCO, do Fórum dos Povos e das Comunidades Tradicionais, juntamente porque pensamos que as comunidades verdadeiras, aquelas que devem ter direito à participação, ficaram de fora do FSM, daí termos optado pelo CASA DE CABOCO e desenvolvido uma série de ações, entre as quais um seminário que colocou os mestres populares na mesma mesa que os mestres ditos eruditos para dialogar sobre interfaces e usurpação de saberes, fizemos também mostras de cinema no OLÍMPIA, com focos temáticos na Amazônia e na África, em buscas das nossas mais fecundas identidades, e, enquanto CORREDOR POLONÊS ATELIER CUTLRUAL, desenvolvemos um conjunto de ações artísticas, muitas das quais que já vínhamos desenvolvendo há cinco anos, sob a ótica da rebeldia, da independência e do experimentalismo, daí as performances ousadas que alguns brasileiros nos brindaram no entorno da Praça da República, fazendo um chamamento às reflexões sobre este Fórum Social Mundial, se as pautas que ele trouxe até o Pará de fato interessam aos paraenses e aos amazônidas, porque temos que ficar atentos, acordados e despertos com relação a estes que se utilizam das causas populares e dos movimentos sociais em benéfico de grupos e indivíduos cujo maior interesse é destruir as lutas históricas do povo, daí a nossa crítica ao FSM ao mesmo tempo em que comungamos com seus objetivos, quais sejam os de se colocar contra esta onda neoliberal e capitalista que destrói as consciências das pessoas, porque, camaradas, temos de ser nós mesmos, amazônidas, a colocar em discussão os assuntos que mais nos interessam, motivo pelo qual estas imagens hoje projetadas, elas tentam sintetizar a nossa causa, a nossa ação artística independente, porque este atelier reúne hoje o que de melhor e mais corajoso existe em Belém do Pará, as pessoas que vem aqui ter conosco, todas elas, saem impressionadas com o que vêem e muitas dizem que jamais viram o que acabaram de ver, porque, a partir de nossas ações artísticas de intervenção social nós buscamos desenvolver pensamentos e estéticas e poéticas articuladas à nossa realidade, o nosso projeto é um projeto ecológico, de resgatar o que a humanidade está a deitar fora, ou seja, a dignidade, a cidadania, a participação e a revolução históricas das consciências sociais, o que nós queremos hoje, portanto, com estas imagens, é revelar a nossa ação e mais do que isso convocá-los a coletividade, á intenção das coletividades, em que a ação responsável de todas tenha como meta a liberdade de todos... Viva a revolução, viva o socialismo, viva arte!
© Francisco Weyl (Carpinteiro de Poesia e de Cinema)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
FILOSOFIA E CINEMA
Portanto, pode-se usar a filosofia para analisar a arte cinematográfica mas a filosofia não poderá ser utilizada como instrumento de valoração da mediocridade comercial burguesa. Não poderá a filosofia legitimar a indústria global e suas narrativas estúpidas.
Afirmo isso para explicar que são histéricas e estéreis todas as interpretações e discussões originárias a partir das obras cinematográficas que tem sido realizadas neste tempo.
Primeiro que filosofia não é coisa que prenda a tempo. Segundo porque a filosofia não é coisa que se possa instrumentalizar para rentabilizar uma concepção artística que tem como fim o lucro, a mesquinhez e a burrice humana. Terceiro porque as narrativas burguesas não possuem nenhum conteúdo filosófico. Portanto, se se utiliza a filosofia ou argumentos filosóficos para interpretar um filme isto não quer dizer absolutamente que este filme possa ter algum conteúdo filosófico.
Se o realizador anuncia a sua pretensão filosofal através de sua obra, é preciso escavar as profundezas de sua matéria prima, é preciso ver as camadas fossilizadas de sua cinematografia ou de sua poesia, para saber se estas estão solidificas no amor aborígine á terra, porque o homem é terra, têm os olhos voltadas para o céu mas seu core é feito de terra, a terra é o planeta do homem, o seu plano primitivo, é nesta terra que o homem planta e colhe a sua obra filosofal, a qual não pode ser vendida em mercado de carne humana sob pena do homem tornar-se um verme.
Esta é a condição para que um homem possa fazer um filme poético e filosófico. Mas, se este homem faz filmes poéticos e filosóficos, os outros, o que fazem? Jogos de conquistas de espaços culturais, ecoam sons limitados que não se propagam na energia do espírito, falam para grupos e campos, discutem teorias mundanas, prostituem a arte por um mísero pedaço de pão. Os filmes destas criaturas podem gerar debates entre outros homens e então ouviremos todo um desfilar de teorias psico-sociais para justificar e conferir valor à narrativa burguesa, ao senso comum e a dominação das massas acéfalas.
São discussões histéricas e estéreis, que impõem um conhecimento não arqueológico, um conhecimento superficial, típico de quem não crê na capacidade humana de pensar, um conhecimento gerado pelo poder, que manipula consciências e relaciona filmes e personagens medíocres à vida real dos homens, um conhecimento com idéias articuladas entre episódios comuns da vida, para valorizar a condição humana hipócrita, um conhecimento resultante de teses acadêmicas aliadas á propaganda mediática para difundir um padrão mesquinho, um conhecimento pressuposto, um pseudoconhecimento que não disfarça o jogo do poder burguês, que tem funcionários e empregados em instituições culturais que defendem a vida da exata forma que ela é, esta vida fixa, imóvel, imutável, um conhecimento de intelectuais e pseudo-homens de cultura, que fingem interpretar e sentir a luz da filosofia a obra cinematográfica tão somente para valorar a podridão que só os vermes são capazes de gerar, vomitar, cagar e comer novamente, mas a filosofia, entretanto, sobreviverá a estas tempestades no deserto.
© Francisco Weyl (Carpinteiro de Poesia e de Cinema)
Quinto cartaz
5 ANOS DO CORREDOR POLONÊS ATELIER CULTURAL
arRUAssa & [aparelho]
& o Cineclube Amazonas Douro
Convidam-no para comemorar o quinto/quinquagésimo aniversário do
Corredor Polonês telier Cultural.
Data da ação: 12/12/2008 (Sexta-feira)
Programa:
17 H (Corredor Polonês): Ação de rua São Jorge, o Dragão
20 H (Corredor Polonês): Projeção do filme LIMITE, de Mário Peixoto
Quarto cartaz© Francisco Weyl (Carpinteiro de Poesia e Cinema)

Quarto cartaz



